Paixão nacional, cerveja une diferentes gerações de pais e filhos
“A produção artesanal de cerveja nos coloca sempre perto das ações diárias e estamos juntos com mais frequência fortalecendo nossos laços. O combo de Dia Internacional da Cerveja e Dia dos Pais, no mesmo fim de semana, promove encontros, celebra momentos, mobiliza a comunidade e reúne famílias. Valorizar o produto local é valorizar sua região e suas histórias”. A fala é de Lucas Mello que, ao lado do pai, Klinger Mello, fundou a Itaici Cervejaria, em Indaiatuba, na região de Campinas.
A empresa familiar faz parte da Cadeia Produtiva Local (CPL) do Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas, composto por 28 cervejarias, que ganharam potência e visibilidade com o apoio do programa SP Produz, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE).
Em seis anos de trabalho, Lucas e o pai criaram mais de 25 receitas. Além da cervejaria, abriram um pub na cidade. “Meu pai abriu o caminho, me ensinou tudo e já são 25 anos disponibilizando tecnologia à indústria cervejeira. Em 2020, nasceu a cervejaria no bairro que moramos: Itaici. Dividimos desafios entre eu, meu pai e minha mãe. Trabalhar em família é desafiador e exige maturidade para que tudo flua bem”, disse o filho.
O dia 7 de agosto marca a celebração do Dia Internacional da Cerveja, considerada paixão nacional. Mais que uma bebida, ela movimenta a economia. São Paulo já é responsável por 77,7% das exportações brasileiras de cerveja. Em 2025, o estado exportou US$ 169,7 milhões, alta de 8,42% em relação ao ano anterior.
São Paulo tem um enorme potencial na produção cervejeira e reúne sete CPLs reconhecidas pela SDE ligadas ao setor, desde o cultivo de lúpulo, produção de cerveja e fabricação de equipamentos e máquinas.
Por meio do SP Produz, as cadeias produtivas recebem apoio técnico, incentivo ao desenvolvimento e até mesmo fomento para ampliação dos negócios, a depender da apresentação de um projeto estruturado, habilitação jurídica e inscrição no edital estadual.
“As perspectivas para a cadeia produtiva da indústria cervejeira são positivas. O setor brasileiro continua apresentando crescimento, impulsionado pela diversificação do mercado, pela busca por produtos de maior valor agregado e pela crescente incorporação de tecnologia, inovação e sustentabilidade aos processos produtivos”, afirma Carlos Alberto Zem, gestor daCPL da Indústria de Máquinas, Equipamentos e Serviços para Cervejarias (CPLCERVA), localizada em Piracicaba.
A criação da CPL surgiu após o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (SIMESPI) analisar a evolução do mercado cervejeiro brasileiro e identificar que o crescimento do setor não dependia apenas das cervejarias, mas de toda uma cadeia industrial responsável pelo desenvolvimento de máquinas, sistemas de automação, manutenção, logística, tecnologia e diversos serviços especializados.
Segundo Carlos Alberto Zem, um dos grandes diferenciais do SP Produz é o suporte técnico oferecido às CPLs. “O programa disponibiliza mentorias especializadas, orientação para o planejamento estratégico, capacitação gerencial, fortalecimento da gestão da cadeia e apoio à identificação de novos elos produtivos, contribuindo para que as CPLs se tornem cada vez mais organizadas, sustentáveis e competitivas. Para os empreendedores, isso significa participar de um ambiente estruturado para inovar e ampliar a inserção em novos mercados”, assegurou.

De pai para filhos
O arquiteto José Antonio Martins, conhecido como Kalango, transformou a cerveja em negócio de família. Pai, dois filhos e a filha comandam a Kalango Cervejaria, que fica em Americana, e também faz parte da CPL do Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas.
Tudo começou em 1992 quando José fez uma viagem para a Bélgica e despertou interesse pela cerveja artesanal. Anos mais tarde, decidiu fazer a própria cerveja a partir de experimentos em casa.
“O gosto foi crescendo, os amigos pediam pelo produto e ele então terceirizou a produção em outra cervejaria em 2014. Em 2016, abriu a fábrica em parceria com um dos filhos. Com a ampliação do negócio, o pai continuou sendo nossa referência, de quem começou tudo, um apaixonado. Assim como ele, largamos nossas carreiras para fazer cerveja em família”, lembra o filho Kauré Ferreira Martins.
Rotas da Cerveja
Recentemente criadas, as Rotas da Cerveja de São Paulo fortalecem a cadeia produtiva, aproximam produtores, estimulam investimentos e ampliam oportunidades de negócios. Promove também o desenvolvimento regional ao atrair mais turistas para as cidades, movimentam hotelaria, gastronomia e economia local.
A nova rota reúne 104 cervejarias distribuídas em sete roteiros temáticos, 21 destinos cervejeiros em 55 municípios paulistas. Passam por cidades do Noroeste Paulista, Mogiana Paulista (de tradição cafeeira), Campinas e Região Metropolitana, Circuito das Águas e Frutas, Serra do Itaqueri, Cuesta e Centro Paulista, Sorocaba e Região e Capital e Região Metropolitana, além dos Destinos Cervejeiros e de Negócios.
Eduardo Siqueira Francisco é proprietário da cervejaria Los Gatos, localizada em Sorocaba e em funcionamento há dois anos. Integrante da Rota da Cerveja e da Rota Turística de Histórias e Aventuras, ele só vê vantagens por atrair novos públicos.
“Integrar a rota é um reconhecimento do poder público de que pequenos produtores são importantes dentro das cadeias de desenvolvimento. São eles que movimentam, principalmente, as economias locais, para que tenham visibilidade dentro do estado. Isso fortalece tanto a economia quanto o turismo. Acho que os dois estão sempre muito interligados”, concluiu.
Fonte: Assessoria de Imprensa – Secretaria Desenvolvimento Econômico – Fotos Divulgação/Cedidas


