IA vai roubar empregos ou transformar carreiras? Maior risco é ficar sem qualificação
A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa para se tornar realidade dentro das empresas, mas uma pergunta continua angustiando trabalhadores e empresários: a tecnologia vai substituir pessoas e roubar seus empregos ou criar novas oportunidades? Estudos de organismos internacionais mostram que a resposta está no equilíbrio entre automação e qualificação.
“A tendência é que a IA elimine tarefas repetitivas e transforme profissões, mas, também, impulsione o surgimento de novas funções, exigindo que empresas invistam em capacitação e que profissionais desenvolvam competências humanas e digitais para permanecerem competitivos”, avalia o professor Lacier Dias, empresário, especialista em estratégia, tecnologia e transformação digital, doutorando pela Fundação Dom Cabral e fundador e CEO da B4Data.
O debate sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho ganhou força com a rápida popularização da IA generativa. No entanto, os principais estudos internacionais indicam que o cenário não é de substituição em massa da força de trabalho. O Fórum Econômico Mundial, no relatório Future of Jobs 2025, projeta que as transformações tecnológicas deverão eliminar cerca de 92 milhões de empregos até 2030, mas criar aproximadamente 170 milhões de novas vagas, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de postos de trabalho. As maiores oportunidades estarão ligadas à tecnologia, análise de dados, inteligência artificial, segurança digital e, ao mesmo tempo, em ocupações que exigem criatividade, relacionamento humano, educação e cuidados pessoais.
Para o especialista, a discussão não deve ser sobre pessoas versus máquinas, mas sobre profissionais que aprendem a trabalhar com a inteligência artificial. “A IA não substitui a capacidade humana de decidir, negociar, criar estratégias e construir relacionamentos. O que ela faz é automatizar atividades operacionais, liberando tempo para que as pessoas atuem em funções de maior valor agregado. O profissional que dominar essas ferramentas terá uma vantagem competitiva significativa no mercado”, afirma.
A avaliação é compartilhada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que observa que a adoção da IA ainda está em expansão, mas já demonstra potencial para elevar a produtividade, melhorar a qualidade do trabalho e até ampliar a segurança ocupacional. Em levantamento realizado com trabalhadores, quatro em cada cinco afirmaram que a IA melhorou seu desempenho profissional, enquanto três em cada cinco disseram que a tecnologia tornou o trabalho mais interessante. Ao mesmo tempo, a organização alerta para a necessidade de políticas de requalificação, uma vez que cerca de 27% dos empregos nos países membros apresentam elevado potencial de transformação pelas tecnologias de IA.
No Brasil, o avanço também já é perceptível. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da PINTEC 2024, mostram que 41,9% das empresas industriais com 100 ou mais empregados utilizaram IA em 2024, um salto expressivo em relação aos 16,9% registrados em 2022. Paralelamente, a pesquisa TIC Empresas 2025 aponta que aproximadamente 93 mil empresas brasileiras já utilizam algum tipo de solução baseada em IA, evidenciando que a tecnologia está deixando de ser diferencial para se tornar parte da rotina corporativa.
Para Lacier Dias, o maior risco para os trabalhadores não é a IA, mas permanecer alheio à transformação digital. “Historicamente, toda grande revolução tecnológica substituiu algumas atividades e criou outras. A diferença agora é a velocidade. Quem investir em aprendizado contínuo, pensamento crítico, criatividade e capacidade de trabalhar em conjunto com a IA terá espaço crescente nas organizações. A inteligência artificial não veio para substituir pessoas; ela tende a substituir profissionais que resistirem à evolução tecnológica”, conclui.
FOTO: Magnific e Fernando Cremonez
Encaminhado por: Fábio Luporini


