Salário mínimo de 2026 sobe para R$ 1.621, mas segue distante do custo real de vida do brasileiro
O governo federal confirmou em dezembro (10/12/2025) o novo valor do salário mínimo nacional para 2026. O piso passará de R$ 1.518 para R$ 1.621, um reajuste de R$ 103, equivalente a um aumento nominal de 6,79%.
Embora o novo valor entre oficialmente em vigor a partir de janeiro, os trabalhadores só perceberão o reajuste no bolso a partir de fevereiro, quando recebem o primeiro salário referente ao novo ano.
O cálculo do salário mínimo segue a política de valorização adotada pelo governo federal, que considera a inflação acumulada em 12 meses até novembro — medida em 4,18%, conforme dados divulgados pelo IBGE — somada ao crescimento real da economia, com base no Produto Interno Bruto (PIB) de 2024, limitado a 2,5%.
Valor ficou abaixo das projeções iniciais
Apesar do ganho real, o valor final aprovado ficou abaixo das projeções divulgadas pelo próprio governo ao longo de 2025. Inicialmente, o salário mínimo para 2026 havia sido estimado em R$ 1.631. Em novembro, a previsão foi revista para R$ 1.627 e, agora, o valor definitivo foi fixado em R$ 1.621 — R$ 10 a menos do que o primeiro anúncio oficial.
A revisão reflete o esforço do governo em equilibrar a política de valorização do salário mínimo com as limitações fiscais. Segundo estimativas oficiais, cada aumento de R$ 1 no salário mínimo gera um impacto aproximado de R$ 420 milhões nas despesas públicas. Assim, o reajuste de R$ 103 deve elevar os gastos obrigatórios em cerca de R$ 43,2 bilhões em 2026.
Impacto social e econômico
O salário mínimo nacional serve como referência direta para cerca de 59,9 milhões de brasileiros, conforme dados do Dieese. Além dos trabalhadores formais, o piso influencia aposentadorias e pensões pagas pelo INSS, benefícios assistenciais e o valor da contribuição mensal dos Microempreendedores Individuais (MEIs).
Por isso, qualquer reajuste tem efeitos amplos não apenas sobre a renda das famílias, mas também sobre as contas públicas e o equilíbrio fiscal do país.
Salário mínimo ainda não cobre o custo de vida
Mesmo com o aumento confirmado para 2026, o salário mínimo segue distante do valor necessário para garantir condições dignas de subsistência. Segundo levantamento do Dieese, o salário mínimo ideal para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro de 2025 — o equivalente a 4,66 vezes o piso nacional então vigente.
O cálculo considera despesas essenciais como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência. De acordo com o estudo, mesmo que todos os integrantes adultos da família recebessem um salário mínimo, a renda ainda seria insuficiente para cobrir esses custos.
E o salário mínimo no Estado de São Paulo?
Além do piso nacional, o Estado de São Paulo adota um salário mínimo regional, definido por lei estadual, que pode ser superior ao valor federal para determinadas categorias profissionais não contempladas por convenções coletivas.
Atualmente, o salário mínimo paulista é de R$ 1.640, valor que já supera o piso nacional de 2026. No entanto, esse mínimo regional não se aplica a aposentadorias, benefícios previdenciários nem ao funcionalismo público, servindo apenas como referência para trabalhadores da iniciativa privada em categorias específicas.
Até o momento, o governo do Estado de São Paulo ainda não anunciou oficialmente se haverá reajuste do piso regional para 2026, o que mantém o debate aberto sobre o real poder de compra dos trabalhadores paulistas no próximo ano.
Desafio permanente
O novo salário mínimo de 2026 representa um avanço ao garantir ganho real, mas evidencia um desafio estrutural: conciliar valorização da renda do trabalho, sustentabilidade fiscal e condições efetivas de vida para a população.
Enquanto o piso nacional continua distante do custo real de sobrevivência das famílias brasileiras, o tema segue no centro das discussões econômicas, sociais e políticas do país.
Fontes
- Governo Federal – Ministério da Fazenda e Ministério do Trabalho e Emprego.
Informações oficiais sobre o valor do salário mínimo nacional para 2026, critérios de reajuste e impactos fiscais. - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Dados da inflação acumulada em 12 meses (IPCA) utilizados como base para o reajuste do salário mínimo. - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)
Estudos sobre o número de brasileiros impactados pelo salário mínimo e cálculo do salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas. - Congresso Nacional
Discussões orçamentárias e estimativas de impacto do reajuste do salário mínimo nas despesas obrigatórias da União. - Governo do Estado de São Paulo
Legislação estadual vigente sobre o salário mínimo paulista e valores aplicáveis às categorias profissionais não abrangidas por convenções coletivas.


