Demissões por IA: antecipação ou equívoco estratégico? Especialista avalia
Por : Fábio Luporini – Assessoria Imprensa
O debate sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho ganhou novo capítulo: enquanto várias empresas anunciam demissões alegando que ferramentas de IA poderão substituir funções humanas, analistas e líderes em tecnologia afirmam que esses cortes refletem uma compreensão prematura da tecnologia. Segundo pesquisas recentes, muitas organizações já citam o uso de IA como justificativa para reduzir pessoal, com 37% das empresas nos EUA esperando substituir trabalhadores por IA até 2026 e quase 30% afirmando já terem iniciado esse processo. Esses números colocam o tema no centro das preocupações corporativas e sociais.
O professor Lacier Dias, empresário, especialista em estratégia, tecnologia e transformação digital, doutorando pela Fundação Dom Cabral e fundador e CEO da B4Data, aponta que mudanças desse tipo não implicam automaticamente em substituição total de empregos. “Estudos mostram que o impacto da IA na força de trabalho tende a ser mais complexo, com tarefas específicas sendo automatizadas enquanto outras, especialmente as que exigem julgamento, criatividade ou supervisão técnica, permanecem essencialmente humanas. Além disso, a adoção de IA tem gerado demanda por habilidades novas e especializadas, bem como oportunidades em áreas como engenharia de prompts, auditoria de algoritmos e gestão de sistemas inteligentes”, explica
A narrativa de que a IA simplesmente substituirá trabalhadores ignora um ponto crucial: a tecnologia precisa de seres humanos para ser desenvolvida, ajustada, monitorada e gerenciada. “Mesmo em processos automatizados, especialistas em machine learning, engenharia de dados, ética em IA e integração sistêmica são essenciais para garantir que a tecnologia opere de forma segura, eficiente e alinhada às necessidades de negócios — um aspecto que muitas empresas ainda não internalizaram por completo”, pondera o especialista.
Segundo o professor, há sinais concretos de que o discurso predominante pode estar mudando. “Relatórios recentes mostram um aumento na recontratação de trabalhadores que haviam sido desligados em favor de automação, sugerindo que algumas empresas perceberam lacunas que a tecnologia sozinha não consegue preencher e começaram a trazer profissionais de volta às suas equipes. É o mesmo movimento que aconteceu, por exemplo, com o advento do computador e, depois, da internet.”
Lacier diz que, embora a automação possa reduzir a necessidade de mão de obra em algumas funções rotineiras, ela não elimina a necessidade de trabalho humano em larga escala. “Em muitos casos, a IA complementa habilidades humanas, aumentando a produtividade sem necessariamente tornar trabalhadores obsoletos, uma dinâmica que pode levar organizações a revisar suas estratégias de talento.”
Diante deste contexto, líderes empresariais, formuladores de políticas e profissionais do mercado começam a enfatizar a importância de capacitação e requalificação. “Investir em treinamento para que a força de trabalho atual possa atuar em sinergia com ferramentas de IA em vez de ser substituída por elas é apontado como caminho mais sustentável, tanto para as empresas quanto para a economia como um todo.”


