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Pesquisa aponta fatores para melhor taxa de prenhez bovina

Publicado em 04/06/2018
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Pesquisa

Produção biotecnológica de embrião in vitro é influenciada pela raça, estações do ano, tipo de sêmen e estágio

Estudo científico oferece informações relevantes para agropecuaristas e profissionais que atuam na área de reprodução bovina, com o resultado de detalhadas análises sobre mais de 20 mil transferências de embriões produzidos in vitro (em laboratório e fora do organismo animal) em escala comercial, provenientes de 1.400 vacas doadoras de oócitos (óvulos), para verificar os fatores que influenciam a taxa de prenhez. Foram constatadas que na biotécnica da produção in vitro (PIV) existem causas influenciadoras, capazes de determinarem a melhor taxa de prenhez, que são a raça, sazonalidade (estações do ano), tipo de sêmen e estágio do embrião.

“Fatores apontados pelo estudo, embora não possam ser mudados, servem para instruir os veterinários que trabalham nesta área e os clientes, sobretudo no que se refere às particularidades raciais e sua adequação às melhores épocas do ano, visando obter resultados mais consistentes no uso desta biotécnica em larga escala”, afirma a Dra. Caliê Castilho Silvestre, pesquisadora responsável pelo projeto da pesquisa desenvolvida pela zootecnista Bárbara Gomes Rodrigues Nogueira durante o mestrado no Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Ciência Animal, na Unoeste.

Os dados para análises envolveram as seguintes raças para a produção de carne: Nelore, Angus, Brangus, Bonsmara, Brahman, Canchim, Senepol e Tabapuã; sendo que para a produção de leite foram as raças Gir, Girolando, Holandesa e Jersey; criadas no Brasil, de procedências distintas e mantidas sob diferentes condições de manejo. A taxa de prenhez foi maior na primavera/verão, quando comparada ao outono/inverno. O uso de sêmen convencional na fecundação in vitro (FIV) resulta em mais prenhez. Os embriões nos estágios acima de blastocisto resultam em maiores taxas que as obtidas com mórula.

O genótipo da vaca doadora e da vaca receptora afeta os resultados, influenciada pela sazonalidade, pois fêmeas de raças leiteiras exibem maiores taxas de prenhez no outono/inverno, enquanto as de corte são melhores na primavera/verão. São dados que favorecem a biotécnica que utiliza aspiração folicular guiada por ultrassom para retirar o oócito do ovário e levar ao laboratório para ser maturado, fecundado com sêmen de machos de alto valor genético, com embrião cultivado por sete dias. Daí, então, são envazados e transferidos pelas receptadoras sincronizadas, ou seja: que são no sétimo dia do ciclo estral.

O período de sete dias é o mesmo em que o embrião chegaria ao útero fisiologicamente, havendo então a necessidade dessa sincronia. A importância dessa técnica está em aumentar os animais de alto valor genético, com maior precocidade de terminação (engorda para o abate) e de puberdade, com as fêmeas entrando no cio mais cedo. O que representa maior eficiência econômica dos rebanhos, de corte ou de leite. Outra grande vantagem é de que na produção in vitro o material genético extraído de uma única vaca pode gerar 50 ou mais bezerros por ano ao ser transferido para as receptoras que funcionam como barriga de aluguel e que nem precisam ser de alto valor genético.

A importância da pesquisa da Bárbara, orientada pela Dra. Caliê, foi destacada pelas duas avaliadoras em sua recente defesa pública da dissertação para obtenção do título de mestre, as doutoras Yeda Fumie Watanabe, da WTA Watanabe Tecnologia Aplicada, de Ribeirão Preto; e Raquel Zanetti Puelker, diretora de pesquisa e desenvolvimento da Progest Biotecnologia, de Botucatu. Yeda é autora do projeto que gerou o primeiro bezerro PIV nascido no Brasil, em 1992; e sete anos mais tarde foi sócia na fundação do primeiro laboratório brasileiro de produção comercial.

Atualmente, o Brasil responde por 70% da produção de embriões PIV no mundo, de tal forma que é um exportador dessa biotécnica para o mundo, a qual vem sendo estudada por várias instituições de pesquisa. Conforme previsão da professora orientadora do estudo, os mais recentes resultados obtidos na Unoeste devem gerar publicação internacional de artigo a ser enviado para avaliação de pareceristas de periódicos científicos, assim que forem feitos os ajustes sugeridos pela banca examinadora.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa Unoeste - Foto: Gabriela Ol

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